quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SEMANA DA CIÊNCIA & TECNOLOGIA DO CEDERJ - Volta Redonda

Participe do evento que reunirá, doutores, mestres, professores, alunos e comunidade. Todos reunidos com o objetivo de refletir um desenvolvimento sustentável para nosso planeta. a realização será de 4 a 9 de outubro de 2010.

O evento está sendo coodenado por:

- André Luiz Vargas Vasconcellos
- Juliana Gil Melgaço
- Profª Sílvia Trajano

Sob a direção da Profª Giovana da Silva Cardoso

Organização do Evento no CEDERJ: Profª Sílvia Trajano

O evento é gratuito e as inscrições já estão abertas - Vai até o dia 2 de outubro ou enquanto tiver vagas - O participante terá direito a certificado de participação.

https://sites.google.com/site/encontrolicenciaturascederjvr/

segunda-feira, 5 de julho de 2010

RESUMO DE DISSERTAÇÃO - EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ESPAÇO FORMAL DE ENSINO:

Sílvia Cristina de Souza Trajano
OLIVEIRA, João Gomes Filho. Educação Ambiental em Espaço Formal de Ensino: um estudo de caso realizado no Colégio Municipal Rui Barbosa – Município de Cabo Frio – RJ. Rio de Janeiro, 2008. 54 p. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente/ UNIPLI, M.sc., Ensino, 2008)

CREDENCIAIS DO AUTOR

João Gomes de Oliveira Filho É licenciado em Ciências Biológicas pela Faculdade da Região dos Lagos do Rio de Janeiro (2006) é Graduado em Direito pela Universidade Estácio de Sá (2008), Aperfeiçoado em Ciências Ambientais pela Universidade do Grande Rio (2008), Pós Graduado em Gestão Ambiental pela Universidade da Região dos Lagos (2004), Pós Graduado e Direito Público pela Universidade Gama Filho (2008) e Mestre em Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente pelo Centro Universitário Plínio Leite (2008) e possui a homepage http://lattes.cnpq.br/4685187403080044

RESUMO DA OBRA

O referido trabalho aborda um estudo de caso realizado no Colégio Municipal Rui Barbosa - Município de Cabo Frio – RJ, apresenta uma visão histórica e conceitual do tema no âmbito mundial e nacional no que diz respeito a conferências e legislações que regulamentam a Educação Ambiental. Discute sobre a defasagem profissional dos educadores sobre o assunto, a partir de professores pesquisados que deveriam trabalhar com o tema Educação Ambientais em espaço formal de ensino. A sistematização do currículo escolar tradicional, tambem é abordagem desse trabalho.
A discussão sobre a importância de todos os professores terem em sua formação acadêmica a possibilidade de tratarem assuntos e temas relacionados a EA, o autor destaca que os cursos de reciclagem são de extrema importância para a inserção da EA, complementando falhas na formação dos profissionais de ensino. Indica que as conferências Mundiais sobre Meio Ambiente recomendam a inclusão da EA no currículo escolar, mas que na prática não atingi o objetivo. Aponta como uma das principais causas para essa limitação o planejamento fragmentado e compartimentalizado das escolas, dificultando ainda mais a possibilidade dos profissionais de educação envolvidos com o processo de Educar terem uma postura crítica no que diz respeito a EA. A investigação define através de análise quali-quantitativa, em pesquisa de campo, que os professores passam por várias dificuldades para trabalhar com EA, mesmo que seja transversalmente, conforme sugestão dos PCN’s (que também é abordagem desse trabalho). Mas o principal impedimento, segundo o autor e a análise dos resultados, é a deficiência na formação profissional dos educadores, distanciando suas ações pedagógicas no que se refere a assuntos diferentes de sua formação primária.
De acordo com a pesquisa, num primeiro momento a Educação Ambiental, é analisada em espaços formais de ensino, em que acontece de forma incipiente de acordo com o interesse pessoal, vontade e abnegação do professor.
Num segundo momento, investigam-se as resistências de professores em trabalhar a EA, de um lado pela falta de estímulo por parte da estrutura escolar, mas principalmente, pela carência de informações trazidas em sua formação acadêmica.
Um terceiro momento apresenta, por meio metodológico, o esforço de professores que buscam vincular a temática Ambiental à sua área disciplinar, intencionando conjugar o saber de sua disciplina com a EA, conforme PCN, o investigador questiona: como associar educação e meio ambiente sem preparo técnico e fundamentação político filosófico?
A EA é o caminho para uma formação critica cidadã a qual o homem toma consciência de suas responsabilidades com o mundo natural e conservativo dos recursos naturais a seu dispor. A escola tem papel fundamental, sensibilizador para que no futuro o aluno exerça seu papel no processo de construção de conhecimentos sobre a realidade.

PERSPECTIVA TEÓRICA DA OBRA

A investigação é realizada a partir de uma perspectiva histórica e documental, onde há vários levantamentos de conferências internacionais e legislações de regulamentação ambiental e educacional, mas tambem documentos de sugestão metodológica do MEC alem de teóricos que enfatizam ou apontam discordâncias entre o escrito e o praticado em vários contextos, principalmente no escolar formal, teórico como: Dias; Rachel Carson; Sato; Leonardi; Travassos; Foucoalt; Reigota; Capra; Branco, dentre outros e os documentos oficiais, também foram instrumentos de análise e reflexão, desde a Constituição Federal de 1988, lei nº 6938/81, lei nº 9276/ 99, resolução nº 11 do CONAMA, Agenda 21, até o PRONEA e os PCN’s - Parâmetros Curriculares Nacionais. A Pesquisa relaciona tambem o Clube de Roma, de 1968, a convocação da Conferência de Estocolmo, pela ONU, a Conferência Intergovernamental de EA promovida pela ONU em Tibilisi e a apresentação das principais efemérides.
As perspectivas teóricas apresentadas nos remetem para uma pesquisa de cunho bibliográfico, ao qual o investigador confronta suas análises práticas e de observação às teorias que enfatiza a Educação Ambiental, como sendo uma das soluções encontrada para a efetiva prática das legislações que regulamentam os assuntos Ambientais, mas que não fiscalizam a execução de suas determinações.

BREVE SÍNTESE DA OBRA

A pesquisa contribui para mostrar um recorte da prática da EA em espaço formal de ensino na escola pesquisada e provavelmente em outras escolas do município de Cabo Frio – RJ. A evidencia de que parte dos professores da escola pesquisada não utiliza a EA no cotidiano escolar, foi parcela representativa de que no município de Cabo Frio os professores não possuem a formação acadêmica adequada. Este fato foi comprovado pelas análises quali-quantitativa praticadas nos dados obtidos, com o questionário aplicado aos professores pesquisados. A análise dos dados coletados na pesquisa de campo, permitiu concluir que professores sentem medo de retaliações por parte de diretores, coordenadores ou supervisores, pois a maioria não quis se identificar no questionário. Todos os professores pesquisados possuem formação adequada na área de Educação, alguns com graduação e até pós-graduação, mas grande parte desconhece a legislação e a obrigatoriedade da EA em espaços formais de ensino, a maioria dos pesquisados, nunca estudaram sobre o assunto. Alguns até trabalham com a EA, mas, de forma improvisada, em datas comemorativas como dia do meio ambiente, dia da árvore, etc.
As dificuldades enfrentadas pela escola pública são incontáveis, estruturais, salariais, políticas, econômicas, entre outras, dificultando a inserção da EA, e mesmo aquelas escolas que possuem o mínimo necessário, suas direções não apóiam ou cobram a aplicação da dimensão ambiental, a maioria das escolas não possuem áreas livres, laboratórios, e muitas que possuem não os utilizam devidamente.
A presente pesquisa demonstra que o panorama atual da EA em espaços formais de ensino busca o entendimento de que a formação elementar dos professores é um aspecto negativo que fluência a não efetivação da EA nos espaços não só formais, mas tambem informais.

PRINCIPAIS TESES DESENVOLVIDAS NA OBRA

As pesquisas bibliográficas realizadas pelo investigador apontam para um progresso de consciência política, a partir das necessidades socioambientais, de que a Educação Ambiental evoluiu da informalidade com os movimentos sociais, que contribuíram para o despertar da consciência ecológica, perante a crise ambiental e ganhou corpo formal diante da convocação das diversas Conferências Mundiais sobre o tema, o que exigiu sua inclusão no currículo escolar. Mas devido ser um tema recente, não possui uma epistemologia própria, não está embasada conceitualmente. A indicação dada pelos documentos educacionais é que a EA transpasse todas as disciplinas de forma transversal, o que segundo a pesquisa, tem dificultado sua sistematização no currículo escolar, exigindo criatividade e novas competências por parte do professor que ainda não as tem.
Reflexão crítica sobre obra e implicações
A pesquisa escolhida para a prática desta resenha é um tema pertinente a realidade mundial e educacional, pois será alvo de minhas futuras análises no que se refere a Educação Ambiental nas escolas básicas, dada a relevância do tema na contemporaneidade. No entanto vamos nos deter a Educação Ambiental no Brasil.
Várias evidências documentais e teóricas foram apontadas pela pesquisa, sendo a escola analisada uma representação regional que trouxe resultados questionadores e inquietantes, quando paramos para refletir que as análises foram realizadas numa escola onde a natureza e os aspectos ambientais são ricos e fartos, mas que ao mesmo tempo requerem cuidados para sua conservação e subsistência por se tratar de uma localidade turística, em que vive da exploração de seu ambiente (beleza) e da pesca. Embora a pesquisa não tenha destacado, a pesca é um dos principais itens que move a economia de Cabo Frio. A questão é: Como, então, esse dado não é aproveitado para ser trabalhado como conteúdo transversal de tema da Educação Ambiental nas escolas locais?
A pesquisa aborda que a Prefeitura de Cabo Frio em sua Lei Orgânica, no Art 160, Inc. 14, estimula e existência da EA no universo escolar, quando prevê: “promover a conscientização de população e a adequação do ensino de forma a difundir os princípios e objetivos da proteção ambiental”. A prefeitura reconhece, no entanto, a necessidade de um olhar diferenciado para os aspectos ambientais, mas os professores por não terem uma formação adequada e uma consciência crítica desenvolvida, não executam as determinações legai locais. O que significa que não adianta leis, decretos que determinam práticas ilusórias que seriam bem menos utópicas se ao invés de determinações sem fiscalizações, fossem elaboradas ações como programas que promovessem movimentos de formação, que orientasse e que fornecessem uma profissionalização mais funcional e menos burocrática, com uma continuidade constante na formação do docente, sem caráter de terminalidade. Haja vista que o profissional da educação não pode se dar por satisfeito com uma terminalidade de estudo, devido ser uma atuação que exige constante reflexão, análise e quebra de paradigmas. Só vamos formar cidadãos conscientes quando tivermos profissionais com igual valor de responsabilidade.
Os resultados da pesquisa tambem enfatizam que os professores não recebem o devido incentivo da própria instituição para a continuidade de formação. O que é uma falha, mas que não isenta o professor de sua responsabilidade de primar pela melhoria da qualidade de sua formação. Algum esforço precisa ser feito de algum lado e alguma ação prática há de surgir de alguma forma.

PRODUTO FINAL

A evidencia da pesquisa se deu no campo da falta de informação, por isso foi elaborado um “Manual de Educação Ambiental” que ilustra as principais informações pertinentes ao tema, com documentos oficiais, leis descrição dos encontros internacionais sugestões de dinâmicas e práticas de educação ambiental direcionado para todas as disciplinas e níveis de ensino. O manual possui informações, dividias em 13 capítulos; organizado com base nas principais literaturas sobre EA do país com a intenção de levar orientações importantes para a prática docente, de maneira a preencher a lacuna de sua formação básica, estimulando o desenvolvimento de uma filosofia interdisciplinar. O manual é direcionado a todos os professores da rede Pública do Município de Cabo Frio, mas, a princípio será oferecido aos professores que se matricularem no curso de extensão de EA ministrado por uma das Instituições de Ensino Superior da Região dos Lagos.
Ações práticas como este produto final, da pesquisa apresentada, podem fazer diferença significativa no despertar de professores para uma realidade que merece atenção e interferência. Trata-se do habitat de vida, de inferências, de interferências (positivas) e de inter-relações. A vida das pessoas está relacionada a vida do Meio ambiente. A natureza não é algo alheio aos nossos interesses. É nossa sobrevivência, é onde respiramos. É onde vivemos! Interfere na vida de todos nós. A Educação Ambiental e local, mas tambem é global.

RESENHA CRÍTICA - CONTRIBUIÇÕES DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA NO ENSINO DE CIÊNCIAS: ALTERNATIVA DE INSERÇÃO DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

Sílvia Cristina de Souza Trajano
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO DE JANEIRO MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO DE CIÊNCIAS
MARQUES, Deividi Marcio e Caluzi, João José. Contribuições da História da Ciência no Ensino de Ciências: Alternativa de Inserção de Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio. Enseñanza de Las Ciencias, 2005. Número Extra. Vii Congreso.

CREDENCIAIS DO AUTOR

Deividi Marcio Marques Possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências - Hab. em Química pela Universidade do Sagrado Coração (2003), graduação em Licenciatura Plena Em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós graduação em Educação Para a Ciência da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.Atualmente é Professor Adjunto I do Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia. Autor de diversos textos, livros, resumos e participação em livros, com vasto acervo de trabalhos acadêmicos sobre assuntos na área específica de física, mas tambem aborda as demais Ciências. Possui a homepage http://www.iqufu.ufu.br. Entre outros trabalhos:

______. A utilização da História da Ciência no Ensino: Proposta de elaboração de mudanças didáticas compartilhadas entre professores em exercício e em formação inicial. Circumscribere (São Paulo) v. 4, p. 86-89, 2008.
______. PROPOSTA DE FORMAÇÃO CONTINUADA PARA PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL O ENSINO EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS.. In: XIV Encontro Nacional de Ensino de Química, 2008, Curitiba. Anais do XIV Encontro Nacional de Ensino de Química, 2008.
______. Formação de Professores de Educação Infantil para o Ensino de Ciências. In: VI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 2007, Florianópilis. Atas do VI ENPEC, 2007.


RESUMO DA OBRA

Marques chama atenção para a importância da disciplina História da Ciência nos contextos escolares e formadores, a qual, atualmente, percebemos um desuso considerável das abordagens da História da Ciência, que muito esclareceriam alunos e mesmo os especialistas da área, sobre a essência da Ciência. Pois a compreensão de sua origem revela a evolução social nas diversas áreas do conhecimento contemporâneo, convergindo para as Ciências Sociais.
Assim como a História da Ciência se consolidou como disciplina autônoma na década de 60, o mesmo não ocorreu nas décadas subseqüentes, sendo considerada atualmente uma área interdisciplinar que tem seus temas e conteúdos fragmentado em livros didáticos que pouco abordam sobre a cientificidades das coisas, suas origens e sequer citam a História da Ciência. Alguns desses livros didáticos trazem erros conceituais que reproduzem uma Ciência nada funcional para a vida social e pouco científica para quem pretende ou quer se especializar. O que corrobora quando afirmamos que maioria dos professores que hoje atuam no ensino de Ciências pouco ou nada sabem sobre a História da Ciência.
Conforme Marques, o professor precisa se aprimorar atuando como um pesquisador na busca de novas fontes de pesquisa, descobrindo novos métodos, elaborando novos conceitos, melhorando sua práxis. Aprender sobre outras áreas de conhecimento diferentes da sua de formação é colaborar para uma atuação docente mais comprometida com o social e menos preocupada com o individual. A formação continuada, a pesquisa em periódico, livros, artigos, dissertações e teses corroboram que o conhecimento está disponível para quem quiser, mas para isso há de se desenvolver uma postura cultural de busca, de autoconhecimento e criticidade. Onde o sujeito percebe que precisa progredir. E só com uma atuação didática consciente que valorize o fundamento e o sentido das coisas, para a médio e longo prazo, possamos fazer mudanças significativas com os novos cidadãos formados pela ciência moderna.
Quando Marques destaca sobre a inclusão dos Tópicos de Física Moderna e Contemporânea nos últimos capítulos do livro, no Ensino Médio e que muitas vezes não aparecem nos programas nos chama a atenção para uma problemática de que é um conteúdo visto como não importante. Talvez porque não seja tão relevante para o vestibular que sempre apela para os cálculos e formulas que muitas vezes os alunos retêm por doutrinação.
De acordo com Pérez apud Perrazzan, 1994, que sugere uma introdução da Física Moderna no Ensino Médio, para que seja feita tomando como ponto de partida às dificuldades que originaram a crise da Física Clássica, mostrando os limites de sua validade. Isso é fundamentar dando uma razão aos estudos, diferente do que ocorre na maioria das classes atualmente, onde não há uma base construtivista provocada pelo professor.

CONCLUSÃO

Marques apud Bastos (1998, p. 37) apresenta alguns pontos para nossa reflexão no que diz respeito a importância da História da Ciência no Ensino de... Aborda as deficiências dos cursos de formação de professores, a escassez de textos de História da Ciência que contemplem as necessidades específicas do Ensino de Ciências na escola fundamental e média e a discordância acerca de quais seriam os relatos históricos mais rigorosos e apropriados (existem diferentes possibilidades cujos aspectos positivos e negativos podem não estar evidentes). Este ultimo destaque julgamos ser irrelevante, uma vez que a Ciência entendida como uma verdade absoluta, fechada (certa ou errada, positiva ou negativa) e que se baseia em meros experimentos sem levar em consideração as variáveis da complexidade humana, não é funcional na concepção de Ciência moderna a qual vivenciamos no atual contexto científico. Estamos passando por uma revolução científica que requer uma inter-relação entre as Ciências Naturais e Ciências Sociais. O que já é possível observar. Talvez este seja um dos principais motivos que tornou possível a discussão do ensino de ciências trazendo como fundamentação a História da Ciência no Ensino Médio. A experimentação seguida por uma determinação, aparentemente sem sentido e sem justificativa é a doutrinação da prática científica, tanto do aluno como do professor.
Aprender História da Ciência é entender o porquê das coisas, da Ciência. É ter o sentido e a motivação necessária e indispensável de quem quer compreender a Ciência. A História da Ciência é no Ensino Médio o interesse que falta aos alunos, uma vez que os alunos compreenderiam os episódios históricos, a evolução do progresso científico, a vida, percebendo que as perguntas merecem melhores considerações e atenção que as respostas, que são verdades provisórias e que a qualquer momento podem ser refutadas. Perceber que a Ciência, a religião e a filosofia, têm algo em comum. A “fé” que move uma ou outra e que por este motivo, ao mesmo tempo em que são, aparentemente, dicotômicas, na verdade são complementares. Mas a compreensão de que a Ciência é o método, a filosofia é o pensamento e que a religião é a crença... Que são saberes que questionam, duvidam e que acreditam na natureza das coisas... E que existe uma linguagem universal que explica essa natureza... Só será possível ser percebida com as revelações históricas científicas de um mundo físico com conceitos químicos de origem biológica, mas que se traduz por uma linguagem matemática.
Defendo que a História da Ciência deveria ser trabalhada não apenas no Ensino de Ciências de uma série ou de um curso específico, mas em toda a Educação Básica, mesmo que fosse de modo interdisciplinar. Mas para tanto sabemos da necessidade de uma reforma na formação dos professores, desse modo o primeiro espaço de atuação da História da Ciência seria nos cursos de formação de professores. De todos os professores e não apenas aqueles que são designados a ensinar Ciências. Ciência é um bem comum a todos os cidadãos e para que seja de fato, o Ensino de Ciência, bem como sua fundamentação, é de direito de todos. Não teremos uma sociedade com consciência científica se nossos professores não as têm. E isso requer o desenvolvimento da criticidade, análise e reflexão das práticas pedagógicas, assim como do livro didático, com docentes avaliando seus conceitos e sua pertinência, as abordagens dos temas as aulas e a realidade dos alunos. Perdendo o seu caráter de verdade inalterável, acabada e irrefutável que os professores, muitas vezes, definem os livros.


CRÍTICA

A leitura é rápida, possui um estilo de entendimento claro e objetivo e não perde seu caráter informativo, analítico o que nos traz a luz para uma reflexão sólida a respeito dos aspectos abordados. Requer um mínimo de conhecimentos prévios no que se refere a Física e Química, apenas para que as analogias apresentadas pelo autor fiquem mais ilustrativas e dialógicas, mas seu entendimento não é impossibilitado pelo não conhecimento prévio. O mais importante para que esse trabalho seja eficiente é o interesse e atenção do leitor.
Para encerrar, a História da Ciência é para ser trabalhada com consciência, de forma cuidadosa, analítica e crítica, de modo que os alunos percebam que as verdades não são absolutas, são relativas, questionáveis e muitas vezes refutáveis. Nada está a salvo da crítica e da reflexão. Essa deve ser a principal contribuição da História da Ciência no Ensino, visando uma conscientização científica na sociedade.


INDICAÇÕES

O objetivo deste trabalho é oferece uma análise de cunho científico abordando de que maneira a História da Ciência tem sido apresentada nos diversos ramos da educação e nos livros didáticos, dando enfoque específico ao Ensino Médio.
Os autores destacam a importância da inserção do tópico de Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio, apontando como primordial aliada a História da Ciência como significante para atuação dos professores com dessas disciplinas e tambem para compreensão dos alunos com a aquisição desse conhecimento.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

OS ITENS INDISPENSÁVEIS DO PLANEJAMENTO - DIDÁTICA (25/05)

OBJETIVOS:

Apresentar o roteiro (esboço de um palenjamento) iniciado na aula passada
Formular objetivos gerais e específicos para uma determinada atividade.
Reconhecer os cuiados necessário na avaliação da aprendizagem, a partir da classificação das avaliações somativa, formativa e diagnóstica) - Normativa.

METODOLOGIA:

Aula expositiva dialógica
Apostila de apoio
Estudo dirigido

ABORDAGENS:

Planejamento e sua organização fundamental
Objetivos: Geral e específico (taxonomia de Bloom)
Estratégias (metodologia - procedimentos) Recursos
Desenvolvimento: Tópicos e/ ou conteúdos
Avaliação (somativa, formativa e diagnóstica) - Práticas objetivas e subjetivas.

Profª. Sílvia Trajano ( Didática/ Psicologia da Aprendizagem)

domingo, 21 de março de 2010

FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL Comparando Tempos de Queda

INTRODUÇÃO

Esta apresentação refere-se a conceitos físicos relacionado a “queda e a gravidade”, para que se entenda de maneira mais prática as teorias de Galileu. Embora a disciplina de Física seja trabalhada a partir do Ensino Médio, nada impede que seus conceitos sejam estudados e experimentados no Ensino Fundamental, já que a Física está presente na vida cotidiana e não apenas nos limites das paredes escolares.
Como Física está presente no dia a dia, fica fácil evidenciar seus conceitos a partir de experiências diversas, com recursos e metodologias que façam ligação com a realidade dos alunos, formando os pré-requisitos necessários que irão ser aprofundado com teoria, e mais prática no Ensino Médio.
Aqui o principal recurso escolhido para ser trabalhado conteúdo de Física no Ensino Fundamental é o audiovisual. A partir de um vídeo da PIXAR, onde o criador brinca com a gravidade e queda de pombinhos, tornando possível a apresentação desse tema e sua compreensão de maneira mais prática, objetiva e divertida.
Alem do recurso audiovisual, que serve para descontrair, preparar e ilustrar o conteúdo, é necessário papel e massinha de modelar, podendo ser esse material substituído por qualquer outro capaz de fazer possível o objetivo da aula que é compreender a queda dos corpos e a relatividade da gravidade em condições variáveis.
De acordo com Dietrich, os fenômenos devem sempre ser iniciando pela experiência e a teoria servirá para explicá-la. Sempre que possível apresentar também um pouco da história que levou ao conceito apresentado. O material caseiro descrito permitirá ao professor desenvolver estes experimentos em sala de aula com a participação de todos os alunos.








DESENVOLVIMENTO

Apresentação para os alunos do vídeo da PIXAR que pode se obtido no site:
http://www.youtube.com/watch?v=FFK_XuVqsCQ
Após a exibição do vídeo, perguntar aos alunos o que eles perceberam no que diz respeito a queda dos pombos.

Material
• 2 folhas de papel
• 1 caixinha de massa de modelar
Experiência 1- Faça, a partir de quantidades iguais de massa (fig. 1), objetos de formas diferentes e depois solte-os, simultaneamente de uma mesma altura. Os objetos cairão ao mesmo tempo ? O que podemos concluir do que foi observado ?

Figura 1: Dois objetos de mesma massa e de formas diferentes
1- Sim. Utilizando a mesma quantidade de massa, mas com formatos diferentes, observa-se que elas cairão ao mesmo tempo.


Experiência 2- Faça uma bola com a massa de três bastãozinhos e outra com a massa de um bastãozinho. Agora largue as duas bolas simultaneamente, de uma mesma altura (fig.2). As bolas cairão ao mesmo tempo ? O que podemos concluir do que foi observado ?

Figura 2: Dois objetos de mesma forma e massas diferentes
2- É de se esperar que o corpo que possui maior massa chegue ao solo um pouco mais rápido que o de massa menor. Porém, verifica-se que os corpos chegam ao mesmo tempo.
Experiência 3- Pegue duas folhas de papel sulfite abertas e solte-as simultaneamente de igual altura (fig.3). As folhas cairão ao mesmo tempo ? O que podemos concluir do que foi observado?

Figura 3: Dois objetos de mesma massa e mesma área
3- As duas folhas caem ao mesmo tempo. Demoram um pouco mais para cair comparando-se com as massas de modelar.


Experiência 4- Pegue uma das folhas de papel sulfite e dobre-a o maior número de vezes. Agora pegue esta folha dobrada e outra aberta soltando-as simultaneamente e de uma mesma altura. As folhas cairão ao mesmo tempo ? Explique o que ocorreu ?

Figura 4: Dois objetos de mesma massa e áreas diferentes
4- Não cairão ao mesmo tempo. A folha aberta possui uma área muito maior comparada com a área da folha dobrada. A resistência do ar, neste caso, influenciou no tempo de queda da folha aberta.







CONCLUSÃO

Experiência 5- Um pouco de História
O grande filósofo grego Aristóteles afirmava que uma pedra de 2 kg cairia duas vezes mais depressa que uma pedra de 1 kg. Dois mil anos depois desta colocação de Aristóteles, Galileu, um estudioso de Ciências, refutou a afirmativa do filósofo grego dizendo que a experiência provava o contrário. Assim sendo, Galileu convenceu importantes professores de sua época (os quais concordavam com Aristóteles) a irem com ele à torre inclinada de Pisa, de onde ele deixou cair - do ponto mais alto da mesma - uma grande pedra junto com outra pequena.
Na opinião do grupo, quem tem razão Galileu ou Aristóteles? Justifique a resposta dada.

5- Quando soltamos um objeto, percebe-se que à medida em que este objeto chega ao solo, sua velocidade aumenta. Esse aumento na velocidade se deve ao fato da ação da aceleração da gravidade no movimento do objeto. Todos os corpos em queda livre sofrem a ação dessa aceleração.
Quando um objeto é abandonado de uma determinada altura, adquire um movimento acelerado pela ação da força peso (P = m g, onde m é a massa do corpo e g a aceleração da gravidade). Além dessa força, pode atuar no objeto uma outra força de mesma direção e sentido contrário, devido à resistência do ar. Essa segunda força é variável e depende da velocidade com que cai o objeto.
Além de depender da velocidade do objeto, a força de resistência do ar depende também da sua forma e da sua maior secção transversal (área) em relação à direção do movimento. Pense no formato de um pára-quedas e de um foguete.




REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS

Experimentos de Física. Disponível em: Acessado em 21 de mar, 2010.

PIXAR: Birds. Disponível em: Acessado em 21 de mar, 2010.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ABORDAGENS PSICOPEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Sílvia Cristina de Souza Trajano


RESUMO


O presente trabalho traz, em uma abordagem referente a perspectiva da educação inclusiva, a Psicopedagogia como enfoque social dentro de uma dimensão macrossocial, na qual apresenta alguns pontos fundamentais nas Políticas para a Educação Especial e o comportamento histórico-cultural a partir da Antiguidade, culminando na contemporaneidade com a dimensão microssocial da escola, da família e acentuando esta última pela sua função social como parceira da família e uma complementação executiva das determinações legais, mas que muitas vezes precisa de auxilio de especialistas para da andamento a suas atribuições. Por isso “As Abordagens Psicopedagógicas na Educação Inclusiva de Alunos com Deficiência Intelectual”, vem apresentar, não apenas a função macrossocial das Políticas Públicas e a microssocial da escola e família, mas as intervenções fundamentalmente necessárias da Psicopedagogia como um dos elementos multidisciplinares com o papel de somar forças na busca de soluções no que diz respeito as dificuldades de aprendizagem de ordem patológica congênita ou adquirida no próprio ambiente sócio-cultural do contexto de cada indivíduo.

Palavras Chave: Educação, Inclusão, Psicopedagogia




INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende apresentar as “Abordagens Psicopedagógicas na Educação Inclusiva dos Alunos com Deficiência Intelectual”, analisando e discutindo o papel da Psicopedagogia e sua efetiva contribuição nos diversos espaços sociais, mais especificamente, na escola e no contexto familiar, evidenciando algumas barreiras encontradas por especialistas na intervenção de alunos com Deficiência Intelectual (DI), a começar com a relação e criação de vínculo terapêutico entre família, paciente e psicopedagogo, que muitas vezes não aceitam a realidade dos fatos apresentados pelo especialista ou não se comprometem integralmente no tratamento, atribuindo o insucesso do aluno/filho ao psicopedagogo. Fracasso que muitas vezes é resultado de terapias que vem como atitudes de independência, autonomia e melhoria no comportamento social que já se aproxima da normalidade, mas que é interpretada pela família como rebeldia e resposta negativa ao tratamento terapêutico que logo é interrompido.
A família contribui de forma significativa com as intervenções psicopedagógicas, sendo capaz de aceitar de forma racional as evidências e a devolutiva? As instituições educacionais contribuem efetivamente e aceitam as intervenções psicopedagógicas no espaço da escola? Os psicopedagogo estão sabendo realizar e conduzir as intervenções e as devolutivas para a família e paciente?
Será possível verificar essas respostas e as dificuldades de intervenções Psicopedagógicas, inclusive no ambiente escolar, onde educadores se mostram resistentes ao aluno da Educação Inclusiva, mesmo com a existência das Políticas Públicas para a Educação Especial e as determinações legais. Alguns professores rejeitam o auxilio e a intervenção Psicopedagógica, o que dificulta ainda mais o processo de melhoria desses alunos.
Como a intenção da presente pesquisa é apresentar as Abordagens da Psicopedagogia na Educação Inclusiva de alunos com DI, será necessário realizar um retrocesso histórico da Educação Especial, desde a Antiguidade até os dias atuais para que se compreenda o comportamento social diante do desconhecido que provoca medo, rejeição e distanciamento das pessoas ditas “normais” as pessoas com DI. Este retrocesso histórico é realizado no capítulo 1, com o título: A deficiência intelectual: ontem e hoje.
No capítulo 2 é realizada uma sucinta apresentação das abordagens teóricas e práticas no campo da Psicopedagogia, iniciando-se com um paralelo da Psicopedagogia no Brasil e Argentina e o campo de atuação do psicopedagogo.
Após a compreensão da atuação psicopedagógica, chega-se no capítulo 3 com a necessidade de se retomar o tema Educação Inclusiva com o histórico e as conclusões que justificam o comportamento contemporâneo social diante da Deficiência Intelectual nos diversos contextos e a atuação psicopedagógia na atual conjuntura social.
Por fim, no capítulo 4 é ilustrado com o título: A Psicopedagogia, o social do Deficiente Intelectual, o qual encerra com a efetiva discussão das abordagens psicopedagógicas da Educação Inclusiva de alunos com Deficiência Intelectual em estudos de caso, com o intuito de entendimento da dinâmica das relações familiar.
Deseja-se que este trabalho seja um campo fértil de motivação para pesquisas com objetivo de compreender melhor a vida dos Deficientes Intelectuais e as formas de intervenção pedagógica, apresentando que a Psicopedagogia é uma área que veio somar com tantas outras e que podem prevenir, tratar e até sanar dificuldades, distúrbios e patologias controláveis pelo contexto e comportamento.
A pesquisa é do tipo bibliográfica, sendo utilizados vários livros, periódicos, trabalhos científicos de Internet, documentos legislativos e atividades realizadas no decorrer do Curso de Especialização de Psicopedagogia do Centro Universitário de Barra Mansa.



CONCLUSÃO

A família quase sempre não tem contribuído de forma significativa com as intervenções Psicopedagógicas, não sendo capaz de aceitar de forma racional as evidências explicitadas ao longo das sessões e na devolutiva. Muitas vezes o contexto familiar, já acostumado com a patologia cultural do ambiente, cria um paradigma que quando rompido é interpretado como agravamento e não como melhora. E as intervenções pedagógicas provocam mudanças que vão mexer com as estruturas de todos os indivíduos do lar. Nem sempre a família está preparada para mudanças, às vezes ela não quer mudanças, ainda que a busca por ajuda profissional possa ser um comportamento contraditório, mas o pensamento e comportamento humano são tão complexos quanto contraditórios.
Conheço vários profissionais de Psicopedagogia que “fizeram” seu nome e que hoje, pessoas “desfazem” seu nome, devido a não compreensão de encaminhamentos e devolutivas realizada pelo psicopedagogo. Na verdade percebo uma falha no comportamento profissional desses psicopedagogos que se precipitam em dizer algo que não quer ser ouvido, visto, ainda que isso implique em paciência e jogo de cintura, é importante criar e manter o vínculo terapêutico de modo que a confiança não seja abalada pelo que seja dito e ainda sim a sutileza de “induzir” ao invés de “dizer” a realidade (que é variável e questionável) vale mais do que qualquer outra forma de diálogo e aconselhamento. Aliás, é por isso que conselhos não funcionam, pois são ditos e não conduzidos. Pessoas aprendem com erros e constatações e muito menos com palavras que só fazem efeito quando já se passaram pelo campo do empirismo.
Outra falha de alguns psicopedagogo é o foco fechado no paciente que está inserido em um contexto rico de acontecimentos que marcam sua personalidade e suas patologias, congênitas ou não. Olhar entorno é entender como proceder e onde intervir, especificando o trato terapêutico para cada paciente, família, situação e contexto. Ouvir e mais importante que falar. Conhece-se melhor o outro quando se dispõe a ouvi-lo. É assim que se cria, o primeiro passo para, o vínculo de confiança.
As instituições educacionais raramente contribuem efetivamente e aceitam as intervenções Psicopedagógicas no espaço da escola, pois estão preocupadas em preservar sua vaidade em defender-se, afirmando que as metodologias, os procedimentos são adequados já que funcionam para a maioria dos alunos ou que, a escola não tem infra-estrutura e que os professores não são capacitados para trabalharem com alunos deficientes. A escola é vítima culpabilizada pela sociedade e que precisa de ajuda, mas não aceita auxílio e não busca capacitar-se. Ressalta-se aqui a importância de não generalizarmos essa situação, porque existem bons exemplos de escolas inclusivas e que correm atrás, fazendo trabalhos que fazem diferença. Mas é sabido que mesmos com todas as exigências de documentos com força de lei e da própria legislação, na prática a diferença da teoria ainda é gritante, embora possamos ter algumas comemorações no que diz respeito a progressos no campo da inclusão de alunos/ pessoas com deficiência intelectual.
A Educação Especial (inclusiva) precisa ser a aliada na pesquisa e no desenvolvimento de novas formas de ensinar, na heterogeneidade dos aprendizes, sendo compatíveis com os ideais democráticos, na função de orientação, supervisão e acompanhamento das condições educacionais apropriadas.
Para que o educador efetive suas práticas a partir desse ideal é fundamental o apoio emocional e os estímulos profissionais através da valorização docente e da capacitação contínua, como proposto no PNE.
"Pelo caráter paralelo que apresentou ao longo da história educacional brasileira, a Educação Especial trabalhava somente com o que concernia aos grupos excluídos em função de suas deficiências. Por exemplo, ao programar uma palestra, focalizava somente os educadores que possuíam crianças ‘especiais’ e não toda a escola, ou toda a rede. Bastava que apenas o professor desses alunos obtivesse o conhecimento sobre elas. O professor que possuía somente alunos ‘normais’ não adquiria o conhecimento e perpetuava a sua desmotivação e sua desvalorização acerca do alunado da educação especial."
(http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=369).

A formação de educadores deve firmar-se numa transformação: a passagem de uma atenção centrada na criança considerada como tendo dificuldades de aprendizagem para uma atenção que engloba todas as crianças, de acordo com o desejo de Mantoan. Os educadores devem concentrar seus esforços na melhoria da forma como enfrentam a diversidade, cuja educação deve visar a ajuda de todas as crianças para terem sucesso na escola (na sociedade), principalmente as que têm de ultrapassar deficiências ou dificuldades específicas.
As relações escola-família-psicopedagogia devem, resumir-se em respeito mútuo, para que pais garantam as possibilidades de exporem suas opiniões, ouvirem os professores, psicopedagogo sem o receio de serem avaliados, criticados. A intervenção Psicopedagógica deve ser no sentido de considerar a necessidade da família vivenciar reflexões e análises que lhes possibilitem sua reconstrução e a revisão de seus paradigmas.
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PRECONCEITO É FEIO

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

AS RELAÇÕES FAMÍLIA, ESCOLA E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO SOCIAL DO DEFICIENTE MENTAL NA PROPOSTA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

POR: SÍLVIA CRISTINA DE SOUZA TRAJANO

RESUMO

Este trabalho pretende proporcionar, de forma condensada, porém analítica e reflexiva, a luz de teóricos que valorizam o estudo da semiótica, o desenvolvimento humano e a complexidade da dinâmica da vida social do aluno (pessoa) com deficiência mental em seus diversos contextos, mais especificamente, nas relações familiar e escolar. Mostra como nossa cultura vem sendo constituída e reconstituída ao longo dos séculos, as evoluções e entraves diante de paradigmas e preconceitos culturais segregacionista que antecedem nossa existência, justificando muitos comportamentos “incoerentes” e “inconscientes” que temos no trato social com o deficiente mental. Apresenta práticas de uma escola regular comum que tenta acertar atendendo às determinações legais, fazendo sua parte da melhor maneira que consegue, mostrando que nem sempre é suficiente ter documentos oficiais e legislação sem uma fiscalização efetiva que se faça valer os direitos das pessoas com deficiência mental. A família necessita de apoio e orientação sobre a deficiência mental. Na escola, os professores precisam de capacitação e segurança para as práticas pedagógicas (inclusivas) e o exercício das Políticas Públicas para a Educação Especial, tendo em vista que a Educação Inclusiva é para todos, para os deficientes, mas também para os não deficientes. É para a família, para os professores, para a sociedade.


Palavras-chave: Deficiência. Relações Sociais. Educação Inclusiva.



INTRODUÇÃO

“As Relações Família, Escola e o Desenvolvimento Cognitivo Social do Deficiente Mental na proposta da Educação Inclusiva” é o tema da presente pesquisa. Estes são fatores fundamentais para o entendimento e a compreensão dos “Processos de Ensino e Aprendizagem” na perspectiva histórico-cultural do deficiente intelectual em seus diversos contextos da sociedade, inclusive a familiar.
A família projeta sonhos como a organização do quarto, o berço, os brinquedos e todo o aparato infantil para a recepção do bebe. Às vezes os pais, mesmo sem saber o sexo da criança, já fazem a decoração do quarto, arriscando nas cores do gênero masculino ou feminino. Tudo é festa, alegria, profecias, antes de qualquer notícia desagradável ou da chegada de uma criança que pode ser bem diferente daquela sonhada pela família.
Há famílias que não planejam filhos ou se quer desejam uma criança, mas ainda sim, surge o rebento, uma vida, independente da vontade alheia. Muitas vezes nasce como fruto da ignorância, mas cresce como uma semente do amor, com carinho, atenção, motivação e estímulos. Outras nascem de um planejamento, que frustrado, fica sem amor, atenção, afeto...
A pessoa é concebida como um todo funcional onde os diversos processos psicológicos, cognitivo, afetivo, emocional, motivacional e social relacionam-se de forma coordenada um com o outro.
(SILVA, disponível em: http://www.indianopolis.com.br/si/site/1164. Acesso em 8 out 2008).
A presença de uma criança com necessidades especiais na família afeta os pais, como também aos outros membros da sociedade. Vizinhos e conhecidos comumente desenvolvem um sentimento de compaixão e assistencialismo com esses pais e futuramente com a criança, enxergando nela, a pessoa com deficiência, apenas suas limitações e impossibilidades ou um fardo para seus progenitores. Quando se trata de Deficiência Mental, as relações ficam mais complexas, pois as pessoas não conhecem suas causas, suas sequelas e acabam por desenvolver crenças que segregam, limitam e isolam “pessoas” (Deficiente Mental). Em alguns casos a família é segregada pelo estigma de ter um deficiente tão próximo, sofrendo com o legado social, de que todo deficiente mental é “limitado e incapaz” de realizar coisas, de pensar, de aprender e de sentir.
Este trabalho tem o propósito de analisar os processos de ensino aprendizagem da criança com deficiência mental e a adequação da metodologia e recursos utilizados pelos profissionais da educação, além dos aspectos sociais e afetivos que o ambiente escolar e familiar podem promover, tornando propício a inclusão. Evidenciar a importância da disponibilidade, pelos órgãos públicos, do trabalho multidisciplinar nas redes de ensino, em parceria com a família, conhecer as práticas pedagógicas da escola regular comum e sua efetiva funcionalidade quando articulada em conjunto com a família da criança com deficiente mental é também interesse desta pesquisa.
O que uma instituição tem feito para somar com a outra na melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento afetivo e psicossocial do Deficiente Mental, com sua família e como esse envolvimento repercute nos processos de ensino aprendizagem é que se pretende saber. Que articulação existe na relação família e escola que vise a capacidade global do Deficiente Mental? Como os órgãos governamentais vêm oferecendo recursos materiais, financeiros e mecanismos de atendimento multidisciplinar e fiscalização para a escola comum, elaborando um plano de ação que priorize a família e a educação, em prol do Deficiente Mental e sua inclusão nos vários segmentos da educação e sociedade? Qual a importância da permanência do Deficiente Mental no adequado ambiente social, mais especificamente, o familiar, para o seu desenvolvimento afetivo, cultural e social?
Estes são alguns questionamentos que a pesquisa trata com vistas a compreender melhor a inter-relação que constituem a base para o desenvolvimento da saúde psicológica e o bem-estar da criança com Deficiência Mental. Crianças que ficam sem aten­dimento multidisciplinar, durante seus primeiros anos de vida, exigindo uma postura da família que passa a exercer papel fundamental nessa fase. Entretanto a família muitas vezes não se dá conta desse papel, preferindo o isolamento da criança quando percebe que é deficiente. Isolamento que prejudica a interação social comprometendo a linguagem, a vivência e as relações com o mundo e as coisas que precisam ser experimentadas, vivenciadas, sentidas, como os erros e acertos que fazem parte de qualquer ser que aprende. Criando limitações para a pessoa com deficiência e na própria família.
Os diferentes papéis sociais e a nossa extrema plasticidade como seres humanos permitem que nos adaptemos às diferentes situações sociais e que sejamos capazes de nos comportar de forma diversa em cada uma delas. Aprender os nossos papéis sociais é, na realidade, aprender o conjunto de rituais que nossa sociedade criou. (Vianna e D’Avila, 2008, p.94).
Todo ser humano é capaz de aprender. Cada um no seu ritmo, mas para isso há que se ter condições humanas e sociais, e no caso da pessoa com deficiência mental, são necessários estímulos, motivos que ressignifiquem os sentidos, para que na socialização primária (família) a base seja fortalecida com o convívio do afeto e da perspectiva positiva. É na família que ocorre a formação de consciência de valores, a identidade pessoal, o estímulo, participando e mantendo um elo afetivo consciente de seu papel na intervenção da deficiência, a medida em que propicia o crescimento e desenvolvimento dessa criança por meio de um ambiente estimulador, e de relações saudáveis, crescem e aprendem em conjunto. A família pode e deve trabalhar em parceria com a escola, colaborando com os Processos Educacionais utilizados na inclusão do aluno. Quando a família faz sua parte em casa, um grande passo já foi dado quando e o deficiente mental chega à escola com uma maior possibilidade de integração e socialização bem próxima do que se deseja da inclusão.
A pesquisa é do tipo bibliográfica, com referência no próprio material de estudo do curso de Educação Especial. Além de outras bibliografias, tais como periódicos, sites e documentos do MEC que tratam sobre o tema da inclusão e metodologias de ensino, mas a pesquisa de campo também foi utilizada como observações e análises de estudos das vivências pedagógicas de uma escola onde foram realizadas as práticas educacionais com alguns alunos com deficiência mental e com necessidades educativas especiais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O preconceito não está nos lugares e nem nos outros, está dentro de cada um de nós. E uma forma de resistir as suas manifestações é não negando isso. Assumir o preconceito latente dentro de cada um de nós é o primeiro passo para a libertação.

Muitas vezes a escola segrega e a Classe Especial é um exemplo disso. Embora tivesse sido criada com o propósito de “integração" dos alunos especiais à escola regular, para posterior reintegração às classes comuns, na realidade a Classe Especial teve outro fim, tornando-se um espaço de segregação dentro da própria escola, já que a Constituição Federal determina o acesso a escola como um direito de todos, mas não define como deverá ser a permanência após o ingresso. Entrar, às vezes é fácil, mas manter-se é difícil, penoso, doloroso...
Várias Classes Especiais transformaram-se em depósito de alunos com deficiência, não deficientes, com necessidades educacionais especiais, alunos que não aprendiam por causa da metodologia inadequada para eles. Ao invés da Classe Especial oferecer atendimento individualizado priorizando as necessidades dos alunos, adaptando a metodologia da escola para melhor aquisição dos conteúdos pelos alunos, de modo que pudessem dar continuidade aos estudos em Classes Regulares de acordo com ano/série, na verdade não acontecia nem a integração, nem a inclusão.
Muitos alunos ficaram vários anos nas Classes Especiais, que mesmo apresentando progresso e aptidão para irem para Classe Regular, já estavam “velhos” demais para ficarem com os alunos mais novos e menores. Acabavam permanecendo na Classe Especial até irem para a EJA, ou terem sua terminalidade de estudos determinada, ou ainda, evadirem.
Mas, diante de um mundo globalizado, com tantos avanços em diversas áreas: econômica, tecnológica e social, é inegável afirmar que não progredimos em termos educacionais no que se refere a educação inclusiva de pessoas com deficiência intelectual . É sabido que o discurso que ouvimos, é bem diferente, mas quando nos comprometemos a analisar, com uma perspectiva mais reflexiva a realidade das pessoas com deficiência intelectual, suas vivências no campo social do “ontem” não têm comparação com a evolução que vem atravessando até os dias de “hoje”. Isso não quer dizer que não há o que ser melhorado, pelo contrário, muito ainda precisa ser feito para que a vida de pessoas com deficiências seja melhor e mais próxima da normalidade, sendo estas pessoas aceitas e compreendidas por seus pares. E isso só será possível com mudanças no comportamento da própria sociedade ao projetar uma perspectiva de possibilidades e oportunidade sem o sentido de ação caridosa ou de assistência perene.
Analisando os fatos descritos, de certa forma, concluímos que a sociedade vem tomando consciência do papel das pessoas com deficiência intelectual e de seus direitos e deveres como indivíduos pertencentes a uma sociedade democrática. A Escola tem como função social facilitar o acesso dessas pessoas (alunos em geral), no mundo social e pode fazer isso utilizando os estudos da semiótica, com o entrosamento de todos os alunos em todas as situações de linguagem na escola, beneficiando-se do mesmo momento de aprendizagem, mas respeitando as individualidades e as limitações de cada um, que podem ser temporárias ou não. O que irá definir é o desenvolvimento é o ambiente e os estímulos que a pessoa (aluno) receberá.
O educador contemporâneo deve conhecer e saber trabalhar com a diversidade, respeitando as subjetividades e para isso precisa estar se preparando, constantemente, para atender a heterogeneidade das Classes na Inclusão, deve estar interligada a um conhecimento científico que revela o desenvolvimento da criança nos níveis afetivo, cognitivo e social, e suas respectivas relações com os processos de aprendizagem.
O processo de inclusão é complexo, mas necessário e muito satisfatório quando realizado. É uma realização a ser vista a longo prazo pelo social. Inicia-se no microssocial (familiar, escolar) para o macrossocial (cidade, estado, país, mundo). Incluir nada mais é que trocar, entender, respeitar, valorizar, lutar contra a exclusão, transpor barreiras que a própria sociedade criou para os indivíduos, mas que ela mesma pode derrubar. É oferecer o desenvolvimento da autonomia, através da elaboração de pensamentos e formulação de juízos de valor, de modo que o deficiente intelectual possa decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.
A inclusão é que oferecer ao aluno mais do que se tem oferecido é propor a ele atividades significativas capazes de promover seu desenvolvimento e remover as barreiras a seu acesso e participação na aprendizagem e na sociedade. É criar relações de conflito para que os alunos, juntos em suas diferenças, possam buscar soluções. Todas as pessoas podem apresentar dificuldades em alguma área do conhecimento ou etapa da vida. As limitações são inerentes a qualquer pessoa, o que não significa que não se possa ser um indivíduo participativo ou capaz de aprender.
Se a família e a escola têm sua função social é importante ressaltar que as propostas educacionais não surgiram de conhecimentos isolados a ação dos professores é importante no que se refere as Políticas Públicas para Educação Inclusiva. O momento que estamos vivendo não é mais de alongar as resoluções, as leis, as portarias; mas, de trabalhar com a práxis.
Os órgãos governamentais vêm oferecendo recursos materiais, financeiros, mas não o atendimento multidisciplinar e a devida fiscalização para a escola regular/comum. A ação fiscalizadora que fica a cargo das prefeituras é delegada à sociedade que muitas vezes não cumpre essa atribuição, por ser segregadora ou sem informações.
Um ponto importante é a extinção da idéia de que a aprendizagem das pessoas com deficiência intelectual consiste somente em atividades de rotina como higiene, maneiras de portar-se à mesa ou em festas. A aprendizagem deve estar além disso, capacitar o indivíduo ao convívio, participação e auto-sustentação na sociedade. As relações e emoções fazem parte da vida dessas pessoas e por muitas vezes a família e a escola se esquecem disso. A aprendizagem não é só treino, mas principalmente afeto, sentido, incentivo, motivo...
Sendo assim a Educação Especial (inclusiva) precisa ser a aliada na pesquisa e no desenvolvimento de novas formas de ensinar, na heterogeneidade dos aprendizes, sendo compatíveis com os ideais democráticos, na função de orientação, supervisão e acompanhamento das condições educacionais apropriadas. Em escolas eficazes para todos, o ambiente de colaboração que trabalha baseado no enriquecimento das trocas intelectuais e culturais. Para que o educador efetive suas práticas neste ambiente ideal é fundamental o apoio emocional e os estímulos profissionais através da valorização docente e de capacitações contínua, como proposto no PNE.
Pelo caráter paralelo que apresentou ao longo da história educacional brasileira, a Educação Especial trabalhava somente com o que concernia aos grupos excluídos em função de suas deficiências. Por exemplo, ao programar uma palestra, focalizava somente os educadores que possuíam crianças ‘especiais’ e não toda a escola, ou toda a rede. Bastava que apenas o professor desses alunos obtivesse o conhecimento sobre elas. O professor que possuía somente alunos ‘normais’ não adquiria o conhecimento e perpetuava a sua desmotivação e sua desvalorização acerca do alunado da educação especial.
(SOUSA, disponível em http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=369. Acesso em 3 jan 2009).

A formação de educadores deve firmar-se numa transformação: a passagem de uma atenção centrada na criança considerada como tendo dificuldades de aprendizagem para uma atenção que engloba todas as crianças, de acordo com o desejo de Mantoan (1997). Os educadores devem concentrar seus esforços na melhoria da forma como enfrentam a diversidade, cuja educação deve visar a ajuda de todas as crianças para terem sucesso na escola (na sociedade), principalmente as que têm de ultrapassar deficiências ou dificuldades específicas.
Assim, Crochik indica a necessidade de repensarmos o processo de formação, porque quanto maior a dificuldade do sujeito em experimentar e refletir sobre o objeto ou sobre a própria realidade, maior será sua necessidade de defesa frente aos objetos que lhes causam estranheza. Freud já explicava isso, porque o estranho se mostra demasiado familiar, portanto, “[...] o medo frente ao desconhecido, ao diferente, é menos produto daquilo que não queremos e não podemos re-conhecer em nós mesmos através dos outros.” (p.14)
Será uma era de grande alegria quando conseguirmos extinguir o preconceito e a segregação de todos os tipos de nossas vidas. Mas realizar essa proeza significa negar uma cultura submersa em crenças, mitos e valores que se enraizaram e que, por muito tempo, foram (e ainda são) alicerces e base de explicação para a conformidade das atrocidades já cometidas pela humanidade ou justificativa de comportamentos que imaginamos ser o sensato.
Segundo Tomazi (2007) o preconceito é entendido como resultado do processo de socialização e, por isso, sofre alterações ao longo do tempo, em função das diferenças culturais e dos condicionantes históricos sociais. O preconceito não está ligado apenas aos aspectos do objeto fruto do preconceito, mas tem profunda relação com as necessidades que se encontram no sujeito preconceituoso.
Ao apresentar as relações familiar e escolar dos deficientes intelectuais na educação inclusiva é possível enxergar uma “Educação para Todos”, que está surgindo com a diversidade de ideais sociais com perspectivas de um mundo mais humano e compreensivo e menos segregado.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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